O Carnaval de rua no Distrito Federal terminou sob um esquema de segurança que mudou a lógica de atuação das forças públicas: desta vez, a polícia não esperou o crime acontecer. Com uso de reconhecimento por imagem, drones e revistas ampliadas, o DF apostou em uma vigilância preventiva, e o resultado apareceu nos números.
Segundo balanço divulgado nesta quarta-feira (18) pela Secretaria de Segurança Pública, as ocorrências caíram 15,8% em relação ao Carnaval de 2025.
A tecnologia teve papel central na estratégia. Sistemas de identificação permitiram que pessoas com pendências judiciais fossem detectadas ainda nos arredores dos blocos, antes mesmo de entrarem na festa.
“Conseguimos identificar indivíduos com restrições na Justiça antes do acesso aos eventos. Isso possibilitou intervenções pontuais e evitou situações de maior risco”, afirmou o secretário Sandro Avelar.
A vigilância também ganhou novos olhos no céu. O uso de drones ampliou a leitura em tempo real da movimentação nas ruas e ajudou no reposicionamento rápido de equipes.
“As aeronaves não tripuladas ofereceram uma visão imediata do cenário. Isso permitiu deslocar o efetivo conforme a dinâmica da multidão”, explicou a comandante-geral da Polícia Militar, coronel Ana Paula Barros Habka.
De acordo com ela, dois foragidos da Justiça foram presos após serem reconhecidos pelos sistemas de monitoramento.
Outro pilar da operação foi o reforço no controle de acesso. A fiscalização resultou na retenção de centenas de objetos com potencial de causar violência em meio à aglomeração, como itens cortantes e materiais que poderiam ser usados de forma indevida.
Mais de 1,5 milhão de pessoas passaram por algum tipo de revista durante a programação.
Neste ano, as abordagens não ficaram restritas aos pontos de entrada. Em áreas de dispersão, foliões também foram submetidos a verificações, incluindo a necessidade de comprovar a posse de celulares, medida adotada diante do histórico de furtos registrados em edições anteriores.
Para Avelar, a presença integrada das forças nas ruas teve efeito direto na redução das ocorrências. “A atuação conjunta de Polícia Militar, Detran e Corpo de Bombeiros aumenta a sensação de segurança e dificulta a ação criminosa”, avaliou.
Mesmo com a queda geral nos índices, o furto de celulares segue como a principal ocorrência associada ao Carnaval. A orientação das autoridades é que vítimas formalizem registro, já que aparelhos recuperados passam por identificação e podem ser devolvidos posteriormente em ações organizadas pela Polícia Civil.
