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No Hospital de Base, pacientes com bolsa de colostomia e feridas ganham apoio para voltar à rotina

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Aceitar uma mudança no próprio corpo depois de uma cirurgia pode ser um dos momentos mais desafiadores na vida de um paciente. A aposentada Vandelice Santos de Santana, 66 anos, viveu esse processo após o tratamento de um câncer colorretal, quando precisou passar a usar uma bolsa de colostomia.

“Tive muita dificuldade para aceitar. No começo, eu não conseguia nem olhar pra ela. Meu filho que colocava pra mim”, relembra.

A bolsa de colostomia é um dispositivo utilizado para coletar fezes e outros resíduos por meio de uma abertura feita no intestino grosso, no abdômen. Ela passa a ser necessária quando o intestino ou o ânus deixam de funcionar normalmente, exigindo novos cuidados no dia a dia.

Por trás dessa adaptação está a estomaterapia, uma especialidade da enfermagem ainda pouco conhecida, mas essencial para a qualidade de vida dos pacientes. O estomaterapeuta é o profissional responsável por orientar, acompanhar e tratar pessoas com estomas, que são aberturas cirúrgicas que conectam órgãos ao exterior do corpo, além de atuar no cuidado de feridas complexas e incontinências.

No Hospital de Base do Distrito Federal, unidade administrada pelo Instituto de Gestão Estratégica de Saúde do Distrito Federal (IgesDF), a referência nesse atendimento é a enfermeira estomaterapeuta Alexandra Lino. Ela sempre trabalhou na área cirúrgica, e decidiu se especializar por sentir falta de conhecimentos aprofundados para poder prestar uma assistência melhor aos pacientes.

“Eu sempre me deparava com áreas de extrema complexidade, como abdomens abertos e estomas de difícil manejo, então a estomaterapia me pareceu muito interessante”, explica.

A especialista conta que a profissionalização abriu novas oportunidades e a preparou para ajudar pacientes que estavam sofrendo. “A estomaterapia me proporcionou conhecimento para superar desafios diante das realidades de cada um. Aqui no Hospital de Base, que é referência em complexidades, sempre tive o suporte para atuar junto dos pacientes e trazer a qualidade de vida que eles precisavam diante de situações muito críticas”, detalha.

Alexandra foi a colaboradora responsável por acompanhar e orientar sobre o preparo e o manejo da bolsa de colostomia de Vandelice e outros incontáveis pacientes. Mais do que ensinar a parte técnica, o acolhimento também é essencial nesse processo. “O cuidado em si é simples, mas se torna difícil porque a bolsa de colostomia altera totalmente a vida do paciente, o que impacta muito principalmente no psicológico”, explica a enfermeira.

Somente em 2025, o Hospital de Base realizou mais de 2,5 mil atendimentos relacionados ao cuidado com estomas. Segundo a especialista, muitos pacientes conseguem fazer o manejo sozinhos em casa, mas alguns precisam de acompanhamento mais próximo por causa de complicações ou dificuldades na adaptação.

“Cada paciente traz uma história diferente. Muitos fazem perguntas que têm vergonha de fazer para outras pessoas, até mesmo para a equipe médica. E a família também precisa participar, porque passa a fazer parte dessa nova rotina”, relata.

Ainda cercado por preconceitos, o uso da bolsa de colostomia exige sensibilidade no atendimento. Para a especialista, a empatia faz toda a diferença.

“É essencial mostrar ao paciente que ele não está sozinho. Isso muda completamente a forma como ele enfrenta essa fase”, completa a enfermeira.

Hoje, Vandelice diz que conseguiu superar esse período e retomou a rotina com autonomia. “Eu cuido da minha casa, lavo roupa, ando sozinha pra todo canto. Levo uma vida boa e normal”, comemora.

Apoio especializado na adaptação e recuperação

Além do acompanhamento de pacientes com estomas, o estomaterapeuta também atua no tratamento de feridas complexas e no manejo de incontinências, ajudando a prevenir complicações e acelerar a recuperação.

Esse profissional avalia as lesões, orienta a higiene da pele, indica os curativos mais adequados e acompanha a evolução dos casos, principalmente quando o paciente tem dificuldade para realizar o autocuidado. Esse acompanhamento contribui para a cicatrização e garante mais conforto e segurança.

É o caso de André Luiz Nagashima Silva, de 41 anos, que teve metade do pé amputado após uma complicação causada por uma bolha. Desde então, ele faz acompanhamento até a cicatrização completa do ferimento.

“Tenho recebido um ótimo atendimento desde o começo. É um momento de adaptação, e ter esse apoio é muito reconfortante”, relata.

Entre as principais condições tratadas estão úlceras venosas, lesões causadas pelo diabetes, como o pé diabético, e lesões por pressão. Esses casos exigem acompanhamento contínuo devido ao risco de complicações.

No Hospital de Base, o atendimento em estomaterapia é voltado a pacientes que já estão em tratamento na unidade, garantindo uma assistência integrada.

*Com informações do Instituto de Gestão Estratégica de Saúde do Distrito Federal (IgesDF)

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