Encontrar um animal silvestre dentro de casa, no quintal ou em áreas urbanas pode acontecer no Distrito Federal, especialmente durante o período de seca e nas épocas reprodutivas de algumas espécies. Nesses casos, a principal orientação é não tentar capturar, alimentar ou afugentar o animal. O procedimento recomendado é ligar para o número 190, que encaminhará a ocorrência à instituição responsável pelo atendimento.
Muitos animais passam a circular em áreas urbanas em busca de alimento, água ou abrigo, fenômeno que tende a aumentar com a expansão das cidades e a redução de áreas verdes. No caso do saruê, por exemplo, o período reprodutivo no Cerrado ocorre principalmente entre julho e novembro, com pico de nascimentos em setembro. Nessa época, é mais comum encontrar adultos e filhotes próximos às áreas urbanas. A convivência entre pessoas e fauna silvestre exige cuidados para preservar a segurança de ambos.
O que fazer
Ao localizar um animal silvestre, a recomendação é manter distância e evitar qualquer tipo de manejo. Pessoas sem treinamento podem se machucar ou agravar a situação do próprio animal.
Ao ligar para o 190, é importante informar o endereço completo, um ponto de referência e o tipo de animal, caso seja possível identificá-lo. Também é essencial informar o local exato onde ele está, se apresenta ferimentos ou oferece risco e, ainda, se há pessoas vulneráveis nas proximidades.
Enquanto a equipe especializada não chega, o ideal é isolar a área, impedindo a aproximação de pessoas e animais domésticos, mas sem cercar o animal ou bloquear uma eventual rota de fuga. Se ele conseguir deixar o local naturalmente, não é necessário interferir.
Quando o animal envolvido é potencialmente perigoso, como serpentes, tamanduás, capivaras, javalis ou outros mamíferos de maior porte, a orientação é redobrar os cuidados. A recomendação principal é aguardar a chegada da equipe de socorro.
Outro ponto importante é manter cães e gatos sob supervisão, preferencialmente com coleiras de identificação e sem acesso livre às ruas. Ataques domésticos estão entre as causas frequentes de animais silvestres feridos. Também é fundamental não abandonar animais domésticos, prática que causa impactos sobre a fauna nativa, favorecendo confrontos, competição por alimento e transmissão de doenças.
Quando não intervir
Também é válido lembrar que nem todo animal parado está ferido. Um animal que permanece imóvel, apático ou não reage à presença humana pode estar machucado, mas essa não é uma regra. Algumas espécies utilizam mecanismos naturais de defesa, como no caso do saruê, que pode apresentar a chamada “tanatose” — um comportamento em que simula estar morto para afastar possíveis predadores.
Outras situações podem não exigir o resgate do animal, como as aves que constroem ninhos em telhados ou outras estruturas da residência. A orientação é aguardar até que os filhotes deixem o ninho naturalmente, visto que a remoção de ninhos é infração ambiental. Após a saída das aves, o morador pode adotar medidas para evitar novas ocupações, como limpar o local e vedar frestas com telas ou espuma expansiva.
Já em situações de animais vivendo próximos a residências ou causando conflitos frequentes, como primatas acessando apartamentos ou animais utilizando telhados como abrigo, o cidadão pode solicitar orientação técnica. Dependendo do caso, uma equipe realiza vistoria no imóvel e indica medidas específicas de manejo. O contato pode ser feito pelo WhatsApp (61) 99148-73064.
Entre as medidas preventivas estão podar galhos próximos às janelas para dificultar o acesso de primatas, instalar telas de proteção, manter o lixo fechado e evitar deixar ração de animais domésticos exposta.
